sexta-feira, 15 de julho de 2011

Esperança...



Vejo minhas mãos: estão sempre vazias
Sonhando com o tempo... Em  que tudo perdi!
Fiquei à espera de ilusões sofridas:
Deixei o coração dominar a razão.
E me perdi de mim mesma... Fingindo viver!
Fui ao encontro de sonhos, tangíveis fantasmas
E nas suas correntes, por amor, me prendi...

Hoje acordei e vi que hibernei...
- Letargia profunda em que me afundei!

Mas ainda é tempo e é urgente viver!
Recomeçar! Começar! Reviver!...

Bem... Sou Esperança e esperança é querer...
- E eu voltei a sorrir, sorrir outra vez...

O Vento me traz recados...





Uma lágrima mansa e muito suave desliza
Teimosa, mas plena de pura emoção...
Saudades de um rosto que tudo ameniza
E permite que a vida se transforme em canção...

E um doce sorriso aflora, bem manso
Lembrando venturas de um tempo feliz...
Procuro um abraço que nunca eu alcanço
E ouço um Recado que o Vento me diz:

- “Neste instante, aqui, tão só, nas lonjuras,
O espaço medeia meus lábios dos teus.
Eu também choro... E sofro as agruras:

Não posso beijar-te... Não posso abraçar-te,
Mas estas sempre nos sonhos só meus!
Jamais eu queria, meu amor, magoar-te!...”

E o vento gelado suspira... – Somente
Uma triste resposta lhe leves: “Adeus!
Não quero que sofras, e meu lábio não mente...

Prefiro que esqueças o tempo feliz!
Que vivas tranqüilo os dias só teus!”
Vai, Vento, e lhe conta: é minh’alma que diz!

O Vento, obediente, se afasta ligeiro
Vai dar-lhe o recado... E eu peço ao meu Deus
Que o faça feliz, mas feliz por inteiro!